HOOVERPHONIC

BIG BOY PARTE 1

BIG BOY PARTE 2

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O VINIL


Há 60 anos, a Columbia Records lançava o formato revolucionário para os audiófilos da época: o long play, criação do norte-americano Peter Goldmark. A peça de vinil preto, redonda e com um buraco no meio já não girava mais em 78 rotações, mas em 33 1/3, com estupendos vinte e cinco minutos de cada lado.


A concorrente RCA Victor desenvolveu, no ano seguinte do lançamento do LP, um formato menor e com 45 rotações por minuto, que passou a ser conhecido lá como single e aqui como compacto. Assim como as fitas de vídeo (Beta e VHS) e os computadores (Mac e PC) cada um triunfou a seu modo, sem abafar o sucesso do outro. O compacto passou a ser utilizado para expôr canções, a função anteriormente realizada pelo 78 RPM ("rotações por minuto", nome usado pela banda brasileira), e o LP à "obras" completas.

A partir daí o conceito de se produzir música mudou radicalmente. Uma longa audição tanto tornava a vida dos ouvintes mais prática, já que não teriam de levantar-se a cada nova música, como pavimentava o caminho para a realização e exposição de uma completa obra musical, com diversas canções, forma de escutar música que nos é familiar até hoje. A preocupação de compor UMA boa canção passava a ceder espaço à composição de várias. Os compositores eram mais exigidos e o público agradecia o esforço com mais compras.

Com o LP foi necessário um ajuste criativo para o mercado e o gosto do público teve de se adequar a isso, apesar de que filosoficamente o video-clip ainda é apenas uma imagem dada a um compacto. Só isso. Esse negócio de associar video-clip a "cinema" soa como desculpa esfarrapada. Melhor seria dizer que vídeo é um "comercial musical".

O som gravado através de microfones era "materializado" em sulcos dentro de uma peça de plástico que em contato com uma agulha era "desmaterializado" em áudio. O processo aparentemente rudimentar mas engenhoso. Processo esse, praticamente idêntico à criação de Thomas Alva Edison que havia gravado "Mary Had A Little Lamb" em sulcos sobre um cilindro de cera em agosto de 1877 (bota tempo nisso!). Hoje o áudio gravado é transferido para código binário (zero e um) em CDs e DVDs.

A última revolução do novo milênio é o DVD-áudio com 5 canais, com uma definição infinitamente superior ao pobrezinho do CD que a partir de agora está, também, com os dias contados. E sabe quem vai acabar sobrevivendo? Oh! Doce vingança! Duas das mudanças que o long play trouxe a bordo eram o som de alta fidelidade e os sulcos menores em relação aos anteriores bolachões de velocidade mais acelerada. Era o suficiente para revolucionar geral.No início da campanha promocional do LP foi divulgado o curioso dado que para se escutar as mais de duas horas e meia de "Don Giovanni", de Mozart, era necessário tocar 23 discos de 78 rotações com chatíssimos 46 senta-e-levanta!
Era dose, né? Pensando nisso, Peter Goldmark, após retornar do front de batalha na Segunda Grande Guerra, enfrentou três anos de pesquisas em laboratório para desenvolver um formato que chateasse menos os ouvintes e negociou a criação à Columbia.

O som estéreo foi a conseqüência lógica, mas que demorou um pouco a ser popularizado, ainda mais em nosso país, que já conhecia o long play desde 1951. A primeira bolacha nacional em estéreo foi o "Isto é som estereofônico" em 57 que incluía o comediante Oscarito cantando marchinhas de carnaval! Nos anos 70, nesse mesmo país do cone sul, ainda eram editados LPs com a bizarra criação "estéreo-mono", termo esse que sugeriam os fabricantes, era capaz de ser degustado tanto em equipamentos monaurais (um canal de áudio) ou em estéreo(dois canais). Somente para ilustrar como as campanhas publicitárias pegam pesado, no surgimento do CD um comercial holandês mostrava um cachorro abocanhando um CD no ar, dando a falsa impressão da "indestrubilidade" do produto.

Passados os anos do fanatismo agora os fabricantes já assumem que existe até mesmo uma bactéria que destrói CDs e que dá vírus até em DVD (vide o ocorrido com um DVD das Meninas Super Poderosas)! No Brasil do novo milênio apenas uma fábrica, em Belford Roxo no Rio de Janeiro, prensa LPs. O processo é mais artesanal do que nunca pois os pedidos que chegavam há cinco mil por dia, agora não passam de quinhentos ou menos. E dá para sobreviver nesse andar de carruagem? Claro que sim, ainda mais que os preços pedidos pela prensagem de LPs na Europa são muito mais caros do que no Brasil, o que incentiva a produção inclusive de muitas bandas brasileiras de rock que estão de olho no mercado externo. Existem muitos distribuidores que nem querem saber de CDs e só(se)importam (com)vinil! Lá ainda existe um mercado vivo e atuante, principalmente na cena punk.
Incrível? O problema é que em um país como o nosso isso parece delírio porque infelizmente estamos na mão de uma indústria que não nos quer dar bons preços nem opção de escolha. Pelo menos aqui, o LP perdeu a parada porque é considerado pouco prático, mas é campeão para os audiófilos do mundo inteiro. É comum serem lançadas versões de quase todos os artistas em vinil com maiores polegadas do que o tradicional.

Lembrem-se da história recente sobre a interrupção da produção do velho e barato fusquinha, o carro mais popular já existente. Essa ordem que veio direto da Volks da Alemanha exigiu que as fábricas do México e do Brasil parassem de fabricá-lo já que se dependesse do público, que continuava procurando preço e competência, o fim do carro nunca chegaria. Final da história: O fusca foi para a vala. O LP foi para a vala.
Quer dizer, dane-se o povo e viva os sabichões da indústria mundial! Mas os maiores pedidos para a prensagem de vinils vêm da cena nacional de rap e hip hop e dos DJs locais. Sem eles, certamente, a produção já teria sido interrompida. Se você der uma espiada nas lojas especializadas vai se surpreender com a quantidade de lançamentos nessa área.

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